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Região Nordeste foi uma das mais atingidas da capital na tarde deste sábado (21), com 68,8 mm em apenas duas horas
Volume extremo transformou ruas em rios e deixou um rastro de prejuízos no bairro
Uma
O cruzamento da Rua Dona Ambrósia com São Judas Tadeu foi um dos pontos mais críticos. No local, o cenário era bueiros entupidos, lama acumulada e comerciantes tentando salvar o que restou de anos de trabalho.
‘Um ano de trabalho perdido’: o drama dos comerciantes
A esteticista Gabriele Ribeiro Lopes dos Santos, de 25 anos viu equipamentos boiando em meio ao barro.
“Não é a primeira vez, sempre acontece. É um descaso porque os bueiros ficam sempre entupidos. A água desce toda das ruas laterais para cá e nossas coisas são muito difíceis de conquistar. É muito doído”, desabafou Gabriele à Itatiaia. “Estragou frigobar, estragou um ano de trabalho duro. Eu ainda não estou acreditando. O erro foi acreditar, da primeira vez, que alguém faria algo por nós”.
A comerciante relatou que a água subiu cerca de 60 cm dentro da loja, atingindo aparelhos de ozonoterapia e secadores. “Se você chegar aqui num dia de sol, os bueiros já estão voltando água suja e fedendo. Quando a gente precisa, ninguém ajuda”.
‘Risco de vida’: relatos de desolação e perigo
A dona de salão Ingrid Rodrigues, de 30 anos, reforçou a indignação. Com cinco anos de comércio na região, ela afirma que os últimos dois têm sido marcados por enchentes recorrentes e problemas de esgoto.
“É muito grave, estamos todos desolados. Tem gente que teve que sair escorada, escoltada, porque a chuva alagou tudo”, relatou Ingrid.
“O dono de um Renegade que estava aqui viu a água chegar no peito dele. Não teve como, tivemos que fechar a porta e sair, porque o risco era de vida. A água entrou sem condições de a gente segurar nada”.
Segundo a empresária, a insuficiência de bocas de lobo na parte baixa do bairro torna o local uma bacia de retenção natural para a água que desce das áreas altas. “O esgoto entrou e acabou com o meu salão, com a piscina do vizinho… É muito prejuízo”.
Festa de família termina em prejuízo total
O temporal também interrompeu um momento de celebração. Gislaine Rodrigues da Silva Borges havia alugado um espaço para um aniversário de família, mas a festa deu lugar ao esforço desesperado para salvar veículos.
“A rua encheu muito rápido. Tivemos que ir para trás dos carros, empurrar para fora da zona de inundação, mas a maioria deu PT (perda total)”, lamentou Gislaine. “A festa acabou porque a cantora foi embora, a música acabou. Não conhecíamos a região e não sabíamos que a água ficava empoçada dessa forma aqui”, relatou à reportagem.
As chuvas também provocaram grandes buracos nas ruas do bairro.
Ruas com buracos após chuva forte
Os moradores afirmam que as solicitações de limpeza e manutenção de bueiros são frequentes, mas raramente atendidas pela Copasa ou pela Prefeitura. A Itatiaia entrou em contato com o órgão e a empresa e aguarda um retorno.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial – sua grande paixão – e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde




