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BH: ‘Minha vida está perdida’, diz pai de jovem vítima de feminicídio no dia da Lei Maria da Penha

por admin
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Jovem de 22 anos foi morta pelo namorado após decidir terminar o relacionamento; caso expõe a dor das famílias e o ciclo da violência contra a mulher

Em 2025, 1.568 mulheres foram mortas no Brasil apenas por serem mulheres — ou seja, vítimas de feminicídio. Por trás de cada número, há histórias interrompidas e famílias devastadas pela violência. Uma dessas histórias é a de Vitória Alves” rel=”noopener”>dessas histórias é a de Vitória Alves. A jovem foi morta aos 22 anos pelo próprio namorado após decidir terminar o relacionamento. O crime ocorreu em 2024, justamente no dia em que a Lei Maria da Penha completava 18 anos.

O pai de Vitória, Renato Xisto da Silva, lembra que chegou a conversar com o suspeito antes do crime.

“Quando ele veio pedir ela para poder casar com ela. Impressionante. Eu falei: ‘Olha, cara, se você algum dia não quiser estar com a Vitória mais, você não faz maldade com ela, não’. Terminou com ele no dia seguinte, numa quarta-feira, no dia da Maria da Penha, né? Marcou o encontro com ela e aí ele pegou a faca e já desferiu os golpes. Para mim foi uma coisa muito dolorida, porque eu trabalho na área de segurança. Pensa: ‘Poxa, como que eu não consegui defender minha filha?’ Porque eu sempre falei: ‘Filha, esse cara não é para você’. Eu sempre falei isso.”

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Hoje, Renato convive com a dor da perda e com o sentimento de impotência por não ter conseguido evitar a morte da filha.

“Eh, desculpa, é a impotência, sabe? De você não ter conseguido proteger ela, né? Eu não ter conseguido proteger a minha caçula. Ela era muito, muito presente na vida da gente, né? Muito presente, muito presente. E hoje minha vida tá perdida, né? Quando uma pessoa faz isso com alguém, tira a vida de alguém ou tenta tirar a vida de alguém, ele não tá tentando tirar a vida de uma pessoa, ele tá tirando a vida da família.”

Lei Maria da Penha

O relato de Renato também chama atenção para a importância de quebrar o ciclo de violência antes que ele termine em feminicídio. Um dos principais instrumentos para isso é a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026.

A legislação garante direitos e mecanismos de proteção para mulheres que tentam sair de situações de violência doméstica.

A defensora pública Samanta Vilarinho, que atua na Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência de Gênero, destaca que o principal desafio está na aplicação da lei.

A questão toda é a aplicabilidade dessa lei. Muitas vezes ela não tá sendo aplicada da maneira como ela deveria, não tá sendo implementada da maneira como ela deveria, mas a lei ela vai garantir direitos para as mulheres. Ela vai garantir primeiro um acolhimento na hora daquela situação de violência

defensora pública Samanta Vilarinho, que atua na Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência de Gênero,

Segundo a defensora, a rede de atendimento inclui os Núcleos de Defesa da Mulher (Nudens), que oferecem orientação e suporte jurídico às vítimas.

“A gente tem órgãos para atendimento individual que são os Nudens. Nós temos 25 Nudens em todo o estado de Minas Gerais. E temos na Defensoria também um órgão relativamente novo, foi formalizado em 2022, que é a Coordenadoria Estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres.”

De acordo com ela, o primeiro passo é garantir um espaço seguro para que a mulher possa relatar a violência e conhecer os caminhos disponíveis para sair da situação.

“Então, primeiro é um momento de escuta, é um local que ela pode falar com segurança, com sigilo, com confiança e depois a orientação para mostrar para ela quais são os caminhos que ela tem. Isso é uma libertação, né? Isso é uma forma de libertação jurídica que seja.”

defensora pública Samanta Vilarinho, que atua na Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência de Gênero

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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