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E-mails de Vorcaro citam gasto milionário em itens de luxo e até show do Coldplay

por admin
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Balanços financeiros enviados ao banqueiro mostram contratações de artistas que somam dezenas de milhões de dólares

Gastos do banqueiro incluem festas milionárias dentro e fora do país

O estilo de vida opulento de Daniel Vorcaro era reconhecido mesmo antes das investigações sobre o banqueiro o levarem à cadeia pela segunda vez em menos de cinco meses. A atual fase da Operação Compliance“>Operação Compliance, porém, trouxe mais detalhes sobre quantias exorbitantes de dinheiro gastas com eventos como uma citada contratação da banda britânica Coldplay por USD 11,4 milhões (cerca de R$ 60 milhões na cotação atual).

Dados da investigação da Polícia Federal obtidos pela Itatiaia apresentam balanços financeiros enviados via e-mail para Vorcaro por um consultor financeiro. Um dos relatórios relata a contratação do serviço descrito como: “cachê, logística aérea, terrestre, hospedagem, produção e impostos para contratação da banda Coldplay para tocar no evento em Taormina no dia 08/09/2023”.

O documento não tem caráter oficial e sugere que o pagamento foi feito em duas parcelas em janeiro e junho daquele ano para uma apresentação no litoral siciliano, sul da Itália. A data marcada para a apresentação se deu no hiato entre o braço europeu e o americano da turnê que a banda fazia.

Mas a trilha sonora do Master não para no pop rock inglês. A lista conta ainda com referências de contratações de nomes como Michael Bublé por USD 2 milhões; C. Tangana, por USD 1,8 milhão; The Chainsmokers, por USD 1,3 milhão; Andrea Bocelli, por USD 981 mil; Alok, por USD 365 mil; e JaRule, por USD 336 mil.

O fretamento de iates também é uma constante nos balanços financeiros de Vorcaro. Em operações desse tipo, o banqueiro soma cerca de USD 8,5 milhões (quase R$ 45 milhões na cotação atual)

Os relatórios ainda apontam gastos como USD 1,6 milhão gastos para a produção, coordenação e o staff do camarote do banqueiro no Carnaval da Sapucaí em 2025. uma festa de halloween que custou USD 264 mil em São Paulo em 2023 e quase USD 500 mil em produtos Dolce & Gabbana comprados para um evento em Belo Horizonte.

Nova prisão de Vorcaro

Vorcaro foi preso pela primeira vez” rel=”noopener”>preso pela primeira vez em novembro do ano passado e deixou a cadeia no fim do mesmo mês usando uma tornozeleira eletrônica. O banqueiro é alvo de investigações da Polícia Federal que avaliam acusações de fraude no sistema financeiro brasileiro.

Ele voltou a ser preso na última quarta (4)” rel=”noopener”>voltou a ser preso na última quarta (4) por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado apresentou indícios de que o banqueiro articula ações violentas como intimidação e planejamento de ataques físicos a jornalistas” rel=”noopener”>planejamento de ataques físicos a jornalistas.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central do Brasil” rel=”noopener”>liquidado pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro do ano passado, dia seguinte ao qual Vorcaro foi preso” rel=”noopener”>preso. A instituição se notabilizou nos últimos anos por um crescimento meteórico de patrimônio e por uma postura agressiva no mercado. O comportamento da instituição já chamou a atenção de autoridades reguladoras.

A trajetória do banco nesta década envolveu aportes bilionários em empresas com pouca capacidade econômica de dar retornos financeiros aos investimentos. Investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)” rel=”noopener”>Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou que as movimentações traziam suspeitas, inclusive, de transações que favoreciam empresas vinculadas à irmã de Vorcaro.

Reportagem publicada na Revista Piauí de outubro de 2024, mostrou que o patrimônio líquido do Master quintuplicou em cinco anos, saindo de R$ 219 mihões para R$ 5 bilhões. O sucesso foi inflado pela emissão de Certificados de Depósitos Bancários

O aumento baseado na emissão de CDBs cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para pessoas físicas — o que é um indicativo de baixa liquidez — chamou a atenção do mercado financeiro e do Banco Central e colocaram o Master no radar das instituições reguladoras.

Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) anunciou o interesse em comprar 58% do capital do Master por cerca de R$ 2 bilhões. A operação foi investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e passou pelo crivo do Banco Central.

Em setembro, após mais de cinco meses de análise, o Banco Central decidiu reprovar a transação. A medida foi justificada pelos riscos considerados excessivos para a transação devido à diferença nos ativos detidos pelas duas instituições.

Entre o anúncio do interesse do BRB e a decisão do Banco Central em barrar a negociação com o Master, houve entre analistas do mercado financeiro uma percepção de que a transação se caracterizava como uma operação de resgate de um banco privado em situação de iminente insolvência financeira por uma empresa estatal.

Uma nova transação foi anunciada na véspera do caos vivido pelo banco nesta terça-feira. Na segunda (17), a Fictor Holding Financeira anunciou que injetaria R$ 3 bilhões no Master. A operação seria feita por um consórcio que contava ainda com investidores dos Emirados Árabes Unidos.

A operação, embora anunciada e celebrada por ambas as partes envolvidas na transação, ainda estava sujeita à aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Bernardo Estillac

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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